terça-feira, 14 de dezembro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
ESTOU A CRESCER !
Estou a crescer , minha mãe arranjou um trabalho numa firma que faz limpezas , saí por volta das 5 da manhã de casa .
Meu irmão , ás 6h30 , para uma oficina de automóveis ... parece que é preciso dinheiro , aprendo o significado dessa palavra !
Só ele não trabalha , é alcoólico ... dizem !
Por volta das 7 horas , ele acorda-me , agora adquiriu outros métodos para me despretar . Bate-me .
Bate-me com um cinto da Marinha , marinheiro seria a profissão dele se não fosse alcoólico , puxa -me pelos cabelos , o meu corpo bate pelas paredes da casa , já não choro , já não grito ...
Entrego-me , passivamente , desejando só que acabe !
Entre gemidos de prazer , suga-me o corpo franzino ( decidi não crescer ) beija-me na boca , que fecho até ter o sabor de sangue que me escorre na garganta , abre-me as pernas , azuladas , pelas nódoas negras que vão e vêm , sem nunca me abandonarem .
Já sei masturbá-lo , elogia-me , dizendo que sou muito linda e afirma que me ama , que sempre me amará !
Quando acaba , fica inerte .
Eu encosto-me no canto da parede , sentada no chão frio , desejando só ... DORMIR !
Agora , já quase não me lembro do mar , nem das conchinhas .
A prioridade é dormir ...dormir ...dormir
Meu irmão , ás 6h30 , para uma oficina de automóveis ... parece que é preciso dinheiro , aprendo o significado dessa palavra !
Só ele não trabalha , é alcoólico ... dizem !
Por volta das 7 horas , ele acorda-me , agora adquiriu outros métodos para me despretar . Bate-me .
Bate-me com um cinto da Marinha , marinheiro seria a profissão dele se não fosse alcoólico , puxa -me pelos cabelos , o meu corpo bate pelas paredes da casa , já não choro , já não grito ...
Entrego-me , passivamente , desejando só que acabe !
Entre gemidos de prazer , suga-me o corpo franzino ( decidi não crescer ) beija-me na boca , que fecho até ter o sabor de sangue que me escorre na garganta , abre-me as pernas , azuladas , pelas nódoas negras que vão e vêm , sem nunca me abandonarem .
Já sei masturbá-lo , elogia-me , dizendo que sou muito linda e afirma que me ama , que sempre me amará !
Quando acaba , fica inerte .
Eu encosto-me no canto da parede , sentada no chão frio , desejando só ... DORMIR !
Agora , já quase não me lembro do mar , nem das conchinhas .
A prioridade é dormir ...dormir ...dormir
segunda-feira, 7 de junho de 2010
15 DE DEZEMBRO

Vivemos numa pequena casa , com uma única janela , um quarto com uma cama de casal e um divá , onde dorme meu irmão , posto na pequena cozinha .
É um primeiro andar , de algo a que chamam prédio , já não há flores , nem mar , nem conchinhas ...
Nada do que me pertence está ali .
As senhoras de certeza que vieram , mas arrependeram-se e voltaram , não cumpriram o prometido e tb não m levaram .
Eu reparto a cama com minha mãe e aquele homem , a que chamo pai .
Durmo encostada a uma parede , que se funde com o meu corpo , quando tento não os sentir , por muito frio que tenha !
Hoje faço 7 anos .
Dizem-me que estou uma senhora , que vou para a escola , que vou ter muitas amigas , e outra coisas qe nunca pedi !
Minha mãe sai com meu irmão , parece que vão falar com umas pessoas , para que ele comece a trabalhar , uns vizinhos , ouço !
Eu peço para tb ir , mas minha mãe não me deixa , afirma que só vou atrapalhar a conversa , que fique sossegada em casa , com o meu pai .
Era o que eu temia . Os olhos dele têm novamente aquele brilho , já não me atrevo a respirar .
Passado algum tempo , depois de eles sairem ele aproxima-se de mim , estou ao canto da janela , encolho-me , mas ele teima para que me sente em cima do colo dele .
Obedeço , acaricia-me os cabelos , cada vez mais longos , passa aquelas mãos que tanto pavor me provocam pelo corpo todo , até ás minhas curtas pernas , e vai deslizando a mão para dentro da minha cuequinha . Já deixei de respirar . Agarra numa das minhas mãos , que teimam em se cerrarem e coloca-a dentro da barguilha dele , onde sinto algo , que sem ver me enoja , tento tirar a mão , ele força-me a agarrar aquilo que muito mais tarde no tempo , fico a saber que chamam pila . Tira-a para fora das calças e enquanto , com a outra mão , me esfrega o pipi todo , com aquela , obriga-me a mexer na pila muito feia , mole .
Com a mão dele por cima da minha ensina-me como fazer movimentos rápidos e firmes , sinto-a dura e grande , não sei o que é !
NÃO QUERO ! ( grito )
Assim que grito ele tira a mão que me prende e agarra no meu cabelo , enrola-o na mão , que tb cheira mal , e puxa-o como se mo quissesse arrancar , enquanto me diz : nunca mais grites , ouvistes ?
Nunca mais ...
Sinto a mão dele , poisar na minha cara , uma dor dilacerante , atravessa o meu corpinho . Para ele logo de seguida , tornar a sorrir .
Está muito mais á vontade , exige e ensina-me como lhe tocar , abre-me bem as pernas , E passa os dedos um a um , dentro de mim , sinto dores , choro em silencio .
A minha mão , segue a orientação do desejo dele , até que um liquido viscoso , saí da pila e suja tudo , SUJA-ME enquanto ele geme e torcesse todo , sorrindo , satisfeito !
Suja , mas já liberta , tento enrolar-me em mim própria , mas ele não está satisfeito , lambe-me com a lingua áspera e aquele hálibo que fede a vinho , até ao meu pipi , chupa-me , como se me fosse devorar , até que um termor me percorre , sensação de dor e alivio , não sei definir .
O meu primeiro orgasmo .
O orgasmo do anjo que ainda habita no corpo da criança que SOU !
As ameaças e os carinhos , misturam-se , retenho a informação .
Nunca poderei falar do nosso segredo a ninguém !
Hoje já sou uma mulherzinha , faço 7 anos !
Estou de parabéns , será que vou ter bolo ?
MUDANÇA ...............

Acordo com uma sensação estranha , ouço minha mãe , abro os olhos . Existe um grande movimento no pequeno e escuro quarto .
Ouço o meu irmão perguntar se vamos morar sózinhos , aquele homem de bigode e mal cheiroso responde que sim . Minha mãe mostra um largo sorriso , nota-se que está feliz . Parece que já ninguém se lembra de mim , puxo o cobertor e tapo a cara .
Melhor assim , talvez ele nunca mais me toque . Tento não respirar , não posso fazer nenhum som , fecho de novo os olhos , fingindo que durmo e pergunto-me porque é que ele nunca mais desaparece da minha vida . Não entendo porque viemos para este sitio e pior ainda , porque não voltamos para casa .
Que quer dizer pai ?
Nunca o tinha visto e agora sempre que acordo ele está presente , receio pelo meu futuro , sei , sinto o perigo . Até o meu irmão já fala com ele .
Só eu pareço não gostar dele .
Faço , sem querer , um pequeno movimento quando espreito o que estão a fazer , gesto que me denuncia , meu irmão viu !
Aproximam-se da cama e ouço minha mãe dizer que graças a Deus já acordei .
Dirigem-se para a cama , agora que faço , para onde vou ?
Já se entendem , mas eu deixei de entende-los , estão juntos . Sinto-me sózinha , pela primeira vez na minha vida !
Em desespero , sinto as mãos dele a agarrarem-me , levantado-me da cama , descobrindo o meu corpito que treme , não sei se de frio , se de medo e percebo pelo sorriso de minha mãe e pela alegria que meu irmão demonstra , que eles já não gostam mais de mim , senão nao o deixariam tocar-me .
Nada fazem para QUE ELE ME SOLTE , querem que fale , perguntam-me se me sinto bem , se já não tenho vontade de vomitar .
Percebo que devo responder , pelo olhar que ele me lança .
"...mama dá-me água , peço ...
Ao que ela responde : só se já não tiveres febre !
Metendo a mão em concha na minha testa , desejo que ela não tire nunca mais a mão , mas de imediato a retira .
"... já podes beber , a febre passou ...."
Sim , parece que já não tenho febre , mas sei que só se estiver doente , ele se vai manter afastado de mim , lembrando-me das senhoras que vivem na minha casa , peço em pensamento que elas me façam ficar outra vez com febre !
Que me venham buscar , por favor , se não for muito incomodo !
Não aparecem ... tb se devem ter esquecido de mim ou então tb têm medo dele !
COMEÇANDO.............a minha vida na 2ª fila

Adormeci depressa , e durante a noite lembro-me que acordei para ir ao bacio , a minha mãe resmungou estremunhada , ouvi uma voz que me era estranha , informando-a que a casa de banho era fora do quarto ...
Não me recordo como voltei para a cama , só me recordo de alguém que afirmava que deviam chamar um médico , porque a menina estava com muita febre .
Acordei com o meu irmão a falar-me ao ouvido .
Por momento e sem me lembrar que estava num outro mundo , envolvi os meus pequenos braços no pescoço dele e pedi-lhe para brincar comigo , ao que ele respondeu : depois " fininha " quando estiveres melhor , mas tens que comer , está bem ?
Comer ?
Ele quer que eu coma , quando só tenho sede , quando só quero correr , brincar na praia ,andar descalça e rir .
Levanto-me , o quarto que me é estranho tem um movimento que desconheço , não me consigo manter de pé , sinto-me enjoada , vomito e caio.
Só , alguns dias depois , acordo e quando isso acontece a tristeza domina de novo o meu peito .
Ele , o pai que a minha mãe me prometeu mas que já decidi que não quero , está ali , demasiado perto de mim , da boca dele saí um cheiro que me provoca mais enjoo , só desejo que se cale .
Não percebo o que diz , mantenho a minha atenção nos movimentos estranhos que ele teima em fazer , passa a mão fria e grande por entre as minhas pernas , tocando-me no pipi , como a minha mãe diz , nunca me tinham acariciado assim , não gosto !
Ele , tem um brilho estranho nos olhos , um olhar que nunca vi e mete muito medo . A outra mão dele está metida dentro da barguilha das calças dele , com um movimento que nunca vi , embora tenha espreitado o meu irmão a fazer xi-xi .
Um dos dedos , daquela mão fria , que me deixa gelada , esfrega o meu pequeno clitóris , peça do meu corpo que ainda não tinha descoberto ... até me provocar um espasmo que não sei definir , num misto de dor e agonia , enrolo-me no meu pequeno ser , ele geme sem se aperceber da reação do meu corpo , enquanto a outra mão mexe e remexe dentro das calças dele . Lança um pequeno gemido e pára .
Olha-me nos olhos , como se me engolisse e sorri enquanto me diz : É um segredo , nunca digas a ninguém , vamos brincar assim todos os dias , prometo , vais gostar muito !
Não entendi , nem qual era o segredo , nem porque não podia contar a ninguém e nunca conheci aquela brincadeira , certo é que não gostei de brincar assim , E NUNCA VOU GOSTAR , JURO !
Pelo menos afastou-se de mim , agora , acendeu um cigarro e parece que esqueceu que eu estava ali .
Melhor , tomara que se esqueça de mim para Sempre !
A minha mãe não está , o meu irmão tb não .
Penso apavorada , que voltaram para casa e não me levaram .
É em silencio que a minha face se inunda com as lágrimas que me escorrem dos olhos e tb é assim que adormeço novamente !
Sonho agora com as pedrinhas e com as ondas , deixo de perceber onde começa a realidade e onde acaba o sonho .
Mas tenho uma certeza , prefiro me manter nesta dúvida e Nunca Mais Acordar !
AGORA VIVO COM UM HOMEM QUE NÃO CONHEÇO!

Levou-nos a jantar ,bacalhau com grão e batatas...
Cheirava mal , a porcaria naquela taberna era a decoração primordial , para alem de uma televisão . nunca tinha visto uma televisão , nem sabia o que era ...
Um mundo estranho , misterioso .
Como entravam todas aquelas pessoas dentro do pequeno aparelho?
Entretinha-me a espreitar , disfarçadamente , para a parede , teria um buraco ?
E o tamanho ... das pessoas e dos objectos ...como diminuiriam assim tanto .
Decido , manter-me atenta , não vá alguém me meter ali dentro , até porque não gosto e não confio naquele homem !
Minha mãe e meu irmão , falam com ele . Eu mantenho-me calada , com muita atenção ,olhando desconfiada , para todos os lados
Onde estou , que faço aqui , porque não vamos embora ?
Só na pensão, para onde nos leva é que percebo que o caso é sério .
Minha mãe , despe-me e mete-me numa cama , a cama onde ele também se vai deitar .
O meu pequeno corpo treme , quando ele me olha .
Faz-me festas no cabelo ...
Afirma que sou muito bonita .
observo curiosa e desconfiada .O medo toma conta de mim sinto-me desconfortável .
Meu irmão , vai dormir noutra cama ,também ele está muito quieto , muito calado.
Só a minha mãe se mantém bem disposta , risonha ... não percebo porqué .
Quero a minha cama .
Cheirava mal , a porcaria naquela taberna era a decoração primordial , para alem de uma televisão . nunca tinha visto uma televisão , nem sabia o que era ...
Um mundo estranho , misterioso .
Como entravam todas aquelas pessoas dentro do pequeno aparelho?
Entretinha-me a espreitar , disfarçadamente , para a parede , teria um buraco ?
E o tamanho ... das pessoas e dos objectos ...como diminuiriam assim tanto .
Decido , manter-me atenta , não vá alguém me meter ali dentro , até porque não gosto e não confio naquele homem !
Minha mãe e meu irmão , falam com ele . Eu mantenho-me calada , com muita atenção ,olhando desconfiada , para todos os lados
Onde estou , que faço aqui , porque não vamos embora ?
Só na pensão, para onde nos leva é que percebo que o caso é sério .
Minha mãe , despe-me e mete-me numa cama , a cama onde ele também se vai deitar .
O meu pequeno corpo treme , quando ele me olha .
Faz-me festas no cabelo ...
Afirma que sou muito bonita .
observo curiosa e desconfiada .O medo toma conta de mim sinto-me desconfortável .
Meu irmão , vai dormir noutra cama ,também ele está muito quieto , muito calado.
Só a minha mãe se mantém bem disposta , risonha ... não percebo porqué .
Quero a minha cama .
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Estamos a chegar a Lisboa .
Ao menos a minha mãe e o meu irmão , pararam de vomitar e lembraram-se de mim !
Agora , estamos rodeados de homens , uns vestidos de azul , outros , poucos , de branco . Explicam e desculpam-se , dizendo que a tempestade , tinha sido muito violenta e lamentando o facto de nunca nos terem levado comida , não me interessa nada aquela conversa , continuo com fome . E agora já que cheguei ali quero ganhar o pai , que minha mãe prometeu , ela que se livre de não cumprir a promessa , Fujo ... de certeza !
SÓ NÃO SEI ONDE É A MINHA PRAIA , A MINHA CASA =( , resolvo depois !
O navio , como lhe chamam , prepara-se para atracar , no cais estão algumas pessoas ........
A minha mãe , acena alegremente , enquanto nos diz : o vosso pai , está ali , ali !
No cais estão poucas pessoas , mas demais para as que estou acostumada . Sigo a linha do olhar dela e vejo dois homens um é magrinho , de fato e cara séria ....tem bigode , e mete-me medo !
O outro é alegre , tem a cor dos meus cabelos e pele muito branca ,sorri ... é aquele !
Começo a sentir-me muito feliz !
Vou ganhar um pai , parece ser muito bonzinho , decerto que vai gostar de mim eu já gosto dele !
Para ganhar aquele pai , até que vivo algum tempo com ele , depois volto para casa isso eu sei , quero !
Fazem descer uma escada , a cidade parece já o presépio , que minha mãe fazia todos os anos . É bonito !
As pessoas cumprimentam-nos , desejam-nos sorte ... vamos para terra !
É agora !
A minha mãe , dirige-se comigo pela mão e com o meu irmão do outro lado , como se fosse já um homem crescido .
Aproximamo-nos do homem simpático , não tiro os olhos dele , ele continua a sorrir !
Minha mãe , insistentemente diz : cumprimenta o teu pai , vá dá~lhe um beijinho !
Estico-me nas pontas dos pés , os olhos dele são meiguinhos , mas está triste , parece que tem receio de me dar um beijinho ... quando me sinto puxada ...
A terre treme , as pernas recusam-se a ficarem erectas , o coração dispara !
O homem sério , magro e de bigode é que é o meu pai .~
Uma lágrima rola , novamente no meu rosto .............
Viragem !

30 de Novembro
Viajamos durante muitos dias , não sei quantos , num barco que balançava , enraivecido , como se nos quissesse lançar ás ondas .
Estamos num quarto , tem camas esquesitas , uma por cima da outra de um lado e do outro lado também .
viaja no mesmo quarto , outra senhora , não conheço ...
Ninguém fala , só vomitam !
Cheira mal , uma boneca que me deram , rola de um lado para o outro , constantemente , nunca a consigo agarrar , depois também não me importa , não gosto dela , está sempre a rir !
Quando me apetece fazer xi-xi , espero que a porta fique escancarada e corro para o corredor , ninguém parece se lembrar de mim , vomitam , gemem ...
Num desses dias , tentei subir umas escadas que estavam mesmo perto da casa de banho , subia um degrau , perdia o equilibrio e descia ........ainda vi um homem que me gritou : menina não suba que é perigoso !
Quem seria ?
Tenho saudades da praia , das conchinhas ...
Tenho saudades das senhoras , que quando saí me mandaram um beijinho e murmuraram : vamos ter contigo !!!!!!!!!!!!!!
Nunca estarás sózinha não tenhas medo !
Mas , hoje tenho medo , pelo menos deve ser isso ...
custa a respirar , e sinto-me tão sózinha !
Também tenho fome , disse á minha mãe , ela respondeu : cala-te , corisca !
Não a compreendo ... está tudo tão diferente !!!!!!
Uma lágrima escorre , pelo meu rosto .
Porque me trouxeram para aqui , já não quero o pai , não quero nada , só a minha praia .

Decididamente , sou bonita , os mais velhos comentam a minha beleza !
Mas não era suposto ser feia , como bem , sou alegre , sou bem educada ou pelo menos tento !
Ouvi a minha mãe comentar que vamos viajar , disse-me que ia conhecer o meu pai , tenho pai , fico feliz ... é bom saber que vou ganhar alguma coisa , chamam-lhe pai .
No ultimo natal , ganhei umas moedas , mas o meu irmão convenceu-me que devia enterrá-las no quintal e regá-las ... a arvore das moedas , nunca nasceu , ele afirma que reguei demais e que elas morreram afogadas !
Fiquei muito triste , ia ao largo da igreja comprar loiça de barro , para brincar , sem as moedas ninguém mas quiz dar !
Mas agora , vou ganhar um pai , juro que não o regarei !
Minha mãe , conta histórias sobre o que vamos ver em Lisboa , o jardim zoológico ....a televisão , o electrico , os prédios ...
Não compreendi ainda se vou gostar , mas já tenho um plano , fujo !
Volto para a praia , para a minha casa, ficarei a viver com as senhoras que gostam de mim e que só eu vejo e falo .
Sou pequena , não me vou preocupar !

Estou a crescer , tenho um irmão , mais velho que está constantemente a fugir de mim , para ir para a praia com os amigos ... ele tem amigos ... eu não !
Não há aqui ninguém da minha idade .
Para além de brincar sózinha , agora descobri que posso espreitá-lo , irritá-lo !
Quando me descobre nas rochas , ameaça-me , manda-me embora . Grita comigo : malfada miuda , ainda se mata e a minha mãe ainda vai dizer que a culpa foi minha !
dirigindo-se aos amiguinhos dele !
Divirto-me com a aflição dele , não tenho medos , não tenho noção de perigo , sou ainda muito selvagem !
Quando estou em casa , falo com as senhoras que lá habitam connosco , mas curiosamente mais ninguém as vê =(
São simpáticas , vestem de preto e são já muito idosas , mas gostam de mim , e eu gosto delas !
Minha mãe , diz que sou doida , percebo que essa frase não abona a meu favor , mas não entendo o significado !
quarta-feira, 12 de maio de 2010

O mar está zangado , sei que não é comigo . Mas está muito mal disposto , molha-me , faz-me cair , escorrego constantemente ao tentar subir para a rocha mais alta , preta , imponente e forte , ela tb é minha amiga , conhece-me , dá-me segurança , não fora o vento , que tb está furioso ,e até me poderia deitar no cimo dela !
Opto por desafiar o vento , mantendo o meu pequeno corpo de pé , o vestido molhado e o cabelo longo , puxam-me para baixo !
Sou forte , mesmo quando caio , levanto-me novamente , ignoro o sangue que me escorre pelas pernas e rio , gargalhadas soltas , cristalinas , divinas , como divina eu tb sou , embora o não saiba !

Minha mãe chama-me , grita o meu nome , abstraida continuo a lambuzar-me com a fatia de melancia , escorrendo pelos meus braços , manchando de vermelho o meu vestido branco , autrora alvo , como a minha pele ...
Observo o mar , sorrio , passo com as mãos pela face e afasto o cabelo , que emoldura o meu rosto e cobre completamente as minhas costas até poisar no chão de lajes pretas , formando um tapete que a vida deixaria que fosse completamente pisado !
Levanto-me , a gula selvagem está saciada ...
Os penedos e rochas esperam-me , as ondas , as conchas os búzios e as lapas são os amiguinhos que me aguardam , todos os dias , fiéis e presentes!
Tal como eles sou selvagem , pertenço á natureza !
Corro , ruidosamente grito , sinto-me feliz ... tão imensamente feliz , que nem o bater do mar nas rochas me desilude , me amedrontam , excita-me saber que me esperam que irão brincar comigo , de´pés descalços , com o cabelo solto e a alma livre !
São os meus amigos !
segunda-feira, 10 de maio de 2010
COMEÇANDO.............

Sentada na berma do degrau , completamente envolvida numa suculenta melancia , cabelos longos , ruivos , olhos verdes , tigrados , a boca colorida pelo suco da fruta e o pensamento colorido e enfeitado por imagens de liberdade imensa e recheada de nada .
Feliz , inocente , selvagem ...
Teria pouco mais de 1 metro , mas sentia-me grande , surprema , completa e livre !
Olhava a praia e deixava que o aroma do oceano me perfumasse , era EU e a VIDA !
domingo, 9 de maio de 2010

Este é o meu cantinho , sózinha ou acompanhada , percorrerei o caminho com a força e a coragem que este meu corpo me proporcionará ...
E se alguém me quisser acompanhar , desde já aviso que sou solitária , calada , por vezes ausente ...
Porém , não esqueço e fácilmente estendo a mão e acarinho !
Etiquetas:
मोर्टे विदा एस्पेराना अमोर देस्प्रेजो इ PAZ
Subscrever:
Comentários (Atom)
