
Adormeci depressa , e durante a noite lembro-me que acordei para ir ao bacio , a minha mãe resmungou estremunhada , ouvi uma voz que me era estranha , informando-a que a casa de banho era fora do quarto ...
Não me recordo como voltei para a cama , só me recordo de alguém que afirmava que deviam chamar um médico , porque a menina estava com muita febre .
Acordei com o meu irmão a falar-me ao ouvido .
Por momento e sem me lembrar que estava num outro mundo , envolvi os meus pequenos braços no pescoço dele e pedi-lhe para brincar comigo , ao que ele respondeu : depois " fininha " quando estiveres melhor , mas tens que comer , está bem ?
Comer ?
Ele quer que eu coma , quando só tenho sede , quando só quero correr , brincar na praia ,andar descalça e rir .
Levanto-me , o quarto que me é estranho tem um movimento que desconheço , não me consigo manter de pé , sinto-me enjoada , vomito e caio.
Só , alguns dias depois , acordo e quando isso acontece a tristeza domina de novo o meu peito .
Ele , o pai que a minha mãe me prometeu mas que já decidi que não quero , está ali , demasiado perto de mim , da boca dele saí um cheiro que me provoca mais enjoo , só desejo que se cale .
Não percebo o que diz , mantenho a minha atenção nos movimentos estranhos que ele teima em fazer , passa a mão fria e grande por entre as minhas pernas , tocando-me no pipi , como a minha mãe diz , nunca me tinham acariciado assim , não gosto !
Ele , tem um brilho estranho nos olhos , um olhar que nunca vi e mete muito medo . A outra mão dele está metida dentro da barguilha das calças dele , com um movimento que nunca vi , embora tenha espreitado o meu irmão a fazer xi-xi .
Um dos dedos , daquela mão fria , que me deixa gelada , esfrega o meu pequeno clitóris , peça do meu corpo que ainda não tinha descoberto ... até me provocar um espasmo que não sei definir , num misto de dor e agonia , enrolo-me no meu pequeno ser , ele geme sem se aperceber da reação do meu corpo , enquanto a outra mão mexe e remexe dentro das calças dele . Lança um pequeno gemido e pára .
Olha-me nos olhos , como se me engolisse e sorri enquanto me diz : É um segredo , nunca digas a ninguém , vamos brincar assim todos os dias , prometo , vais gostar muito !
Não entendi , nem qual era o segredo , nem porque não podia contar a ninguém e nunca conheci aquela brincadeira , certo é que não gostei de brincar assim , E NUNCA VOU GOSTAR , JURO !
Pelo menos afastou-se de mim , agora , acendeu um cigarro e parece que esqueceu que eu estava ali .
Melhor , tomara que se esqueça de mim para Sempre !
A minha mãe não está , o meu irmão tb não .
Penso apavorada , que voltaram para casa e não me levaram .
É em silencio que a minha face se inunda com as lágrimas que me escorrem dos olhos e tb é assim que adormeço novamente !
Sonho agora com as pedrinhas e com as ondas , deixo de perceber onde começa a realidade e onde acaba o sonho .
Mas tenho uma certeza , prefiro me manter nesta dúvida e Nunca Mais Acordar !
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